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As Escolhas de Deus


                                                                                          Por Lucia Marlene S. Fitzthum



            No trabalho para Deus há lugar para todos os tipos de pessoas. Isso é destacado pelo apóstolo Paulo, que afirma em Efésios 4:11 que o próprio Jesus deu o Espírito Santo, distribuindo dons de maneira que uns possuem talentos para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros pastores, doutores.
            Contudo, as pessoas são diferentes, e um apóstolo, ou profeta, ou pastor, pode ter características pessoais bem diversas de outro. Paulo divergia de Pedro grandemente, ao ponto de discutirem acerca do ministério. No entanto, ambos eram escolhidos por Deus para levar a obra de Cristo.


            Isso nos leva a pensar sobre como vemos nossos líderes, e quais são as características que esperamos daqueles que estão na direção da nossa igreja.
Como você escolheria os seus líderes, aqueles que devem estão à frente da igreja, para conduzir a obra de Cristo? Qual a sua visão para com os que realizam a obra de Deus? Está em acordo com a visão do próprio Deus?
            Em um comentário bíblico de 2014, a Casa Publicadora apresentou algumas características de alguns líderes que se destacaram na Bíblia, chamando a atenção para suas personalidades e como eles são percebidos pela igreja.
1.    Noé – tinha experiência de longos anos de pregação (120 anos) mas ninguém além de alguns membros de sua própria família se converteu. Não agradaria a associação.
2.    Moisés – era gago, um tanto covarde, se irritava com facilidade e já está muito velho quando se propõe a trabalhar para Deus. Apesar de suas dificuldades, tirou o povo de Israel do Egito e conduziu-o à terra de Canaã.
3.    Salomão – apesar de sua fama de grande sabedoria, na prática acabou falhando em tudo o que pregou. No entanto, deixou os conselhos mais importantes para a condução de nossa vida, para que não falhemos.
4.    Elias – sua personalidade era depressiva, inconstante, pois apesar de grandes feitos, desanimou-se quando pressionado, ao ser intimidado por uma mulher. Contudo, foi o maior dos profetas, levado ao céu ainda vivo, porque venceu seus medos e depressão para continuar ao lado de Deus.
5.    Oséias – teve grandes dificuldades na vida familiar, com histórico de traição da esposa e vergonha. Sua vida poderia ser um embaraço para a igreja, mas demonstrou na prática o quanto Deus nos ama e está disposto a nos perdoar e aceitar de volta.
6.    Jeremias - muito emotivo, vivia chorando, alarmista, reclamão, mostrando uma personalidade problemática e incomodando as pessoas com suas lamentações. Porém, mostrou-se firme em meio ao cativeiro, fazendo o povo lembrar de Deus, de Jerusalém, e da necessidade de arrependimento para salvação.
7.    Amós – de procedência humilde, sem grande estudo, trabalhador da roça, pouco recomendável para comparecer às grandes autoridades. Mesmo assim, sua origem humilde e fidelidade a Deus não o impediu de falar com o rei e conseguir a ordem para reconstruir Jerusalém. Foi ele quem tapou as brechas dos muros sinalizando a reforma necessária na vida de todos nós.
8.    João Batista – dizia ter autoridade para batizar, mas se vestia mal, comia o que não era considerado apropriado, não tinha muito tato com as pessoas. Seu jeito deixaria os membros da igreja constrangidos, mas ele foi o precursor do Senhor, considerado o maior no Reino de Deus.
9.    Pedro – ao entrar na igreja parecia desequilibrado emocionalmente, briguento, às vezes até chegou a negar a Jesus quando em meio a grupos de pessoas. No entanto, a entrega de Pedro a Cristo o mudou de tal forma que ele se tornou o líder dos discípulos, pronto a ir a qualquer lugar, a realmente morrer por Jesus.
10. Paulo – Discutia facilmente com os outros, mostrava falta de tato em diversas ocasiões, era muito duro no que dizia e escrevia, pregava sermões muito longos. Suas cartas se mostram as orientações mais impressionantes para a igreja, em todos os aspectos.
11. Timóteo – mostra algum potencial, mas ainda é muito jovem, por isso não se pode esperar muito dele. A realidade é que, embora jovem, desde a infância recebeu orientação firme sobre a Palavra de Deus, estando apto a servir ao Reino de Deus e levar adiante o trabalho missionário.
12. Jesus – tinha fama de ofender os membros, principalmente os mais tradicionais e os eruditos. Considerado muito controverso, faltava-lhe diplomacia para lidar com as autoridades e os demais líderes. Criava mal estar nas reuniões e nas comissões com suas perguntas desconcertantes. Este era nada mais que o próprio Filho de Deus, o nosso Salvador, aquele a quem devemos a honra, a glória e o poder, para sempre. Amém.
13. Judas – era considerado um homem inteligente, prático, vestia-se com dignidade, requinte, demonstrava habilidade na administração dos recursos, relacionava-se bem com os irmãos, com as autoridades, e preocupava-se com os pobres (aparentemente). Esse foi o único de todos julgado adequado para a função pastoral, de liderança, na igreja. No entanto, a história nos mostrou que foi justamente Judas quem enganou a todos e traiu o Mestre, levando-O à cruz.
Isso faz pensar: que tipo de pessoas temos valorizado como estando aptos a realizar a obra de Deus? Olhamos para a aparência, para os talentos, para o carisma pessoal? Ou deixamos que Deus escolha os líderes que estão à frente da igreja?
Lembremos que Deus não vê como vê o homem, Ele não escolhe segundo a aparência, mas segundo o que está no coração.
Muitas pessoas na igreja possuem a capacidade de trabalhar na obra de Deus, mas não fazem parte de nenhum projeto, ou equipe, por não ter acesso a um grupo, por não se sentirem adequados às exigências que são feitas para a participação. Mas todos nós, de uma forma ou de outra, somos chamados por Deus para fazermos parte do povo de Deus. E muitos possuem talentos, dons, que estão sendo desperdiçados.
            Precisamos valorizar o que as pessoas são perante Deus. I Tessalonicenses 5:12 diz: “Acateis com apreço os que [...] voz presidem no Senhor e vos admoestam”. Essa palavra fala dos líderes que já estão entre nós. Mas muitos que estão sentados nos bancos da igreja, ouvindo, possuem qualidades que podem ser usados na obra de Deus. A igreja precisa de pessoas que deixem de ser apenas membros e se coloquem à disposição de Cristo.
            Todos temos dificuldades e somos falhos em alguma coisa. E, de certa maneira, todos somos discriminados ou nos afastamos em algum momento, devido a certas situações que ocorrem em nossas vidas. Resta ver se esse afastamento também nos leva para longe de Deus ou nos aproxima Dele.
            Em mesma já fui encaixada na igreja em Jeremias, em Oséias, em Pedro, até em Jesus por questionar certas decisões. Mas também já critiquei e falei o que não devia, já deixei de agir quando devia ter agido. Então, nenhum de nós pode chegar diante de Deus e dizer que foi por falta de uma visita, ou por causa de um irmão, que deixamos de fazer a obra de Deus. Foi por nós mesmos, por nosso próprio egoísmo, por deixar de olhar para Cristo e olhar para o nosso eu. Apesar de doer a falta de atenção humana, jamais podemos usar a desculpa de que nos afastamos de Deus por causa de alguém, pois somente Cristo morreu por nós, e somente Ele carregou a nossa cruz.
Antes de desistir da igreja e especialmente de Deus, devemos buscar compreender qual é a santa e pura vontade de Deus pra conosco. Nem sempre as pessoas e os líderes da igreja estarão corretos em suas decisões ou ações, mas a Palavra de Deus sempre estará correta e o amor de Deus sempre será o mesmo, independente da situação pela qual passemos. Jesus nunca nos orientou a seguir outras pessoas mas sempre que chamava alguém dizia: “Segue-Me”. E aquele que O seguia verdadeiramente, O seguia para a vida e para a morte, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, como convém a alguém que realmente se entrega.
Quando Deus trabalha em mim, em você, Ele sempre nos chama a liderar algo. Mesmo que seja a nós mesmos, a nossa família, a uma nação, Deus quer que participemos do Reino de Deus, cada um em sua função. Você já se entregou a Cristo? Já levou o Evangelho da salvação aos seus familiares, aos seus amigos, aos seus vizinhos? Já trabalhou para auxiliar alguém em dificuldades? Experimente usar seus talentos para liderar seus próprios pensamentos a agir em prol da causa de Deus, e o Espírito Santo lhe mostrará que você pode fazer muita coisa que nem imaginava antes.
            Nos exemplos acima, percebemos uma diversidade de personalidades que vem demonstrar como Deus trabalha no ser humano. Deus busca os diferentes para formar uma unidade. Ele faz do fraco forte, do triste alegre, do doente são. Jesus não busca os melhores, pois os melhores nem sempre se dispõem a seguir a Cristo. Não devemos querer mostrar nossos grandes talentos apenas por orgulho, para que os outros nos aplaudam, pois assim, o que nos move não é o amor a Cristo e sim o próprio eu. O verdadeiro cristão, o líder escolhido por Deus, não irá agradar a qualquer preço; ao contrário, ele fará a vontade de Deus a qualquer custo, mesmo que, para isso, tenha que contrariar alguns membros da igreja.
            O líder escolhido por Deus prega a Cristo crucificado, para que a igreja não se apoie em sabedoria de homens e se perca em sermões de bem-aventuranças terrenas. Não transforma a igreja em um clube social, onde vamos para nos divertir, mas mostra o caminho para a santidade. Até mesmo as reuniões sociais da igreja são lugares onde o Espírito Santo deve se manifestar amplamente, para que Jesus possa participar. Pois o que importa não é parecer bonzinho aos olhos dos homens, mas sim, fortalecer a igreja, seguindo a doutrina pura de Cristo, para que você não se perca, e possamos juntos alcançar o céu.
            Quando Deus escolhe, Ele não vê como vê o homem, pela aparência ou talento. Ele olha o coração, a disposição em servi-Lo. A escolha não vem pela nomeação de homens, simplesmente (como ocorreu com Saul), mas pela autoridade divina. O escolhido se destaca, mesmo contra a vontade dos demais (veja o caso de José e seus irmãos). E Deus escolhe os fracos, pois a Ele convém mostrar o Seu poder, a Sua força, que se aperfeiçoa na nossa fraqueza (II Co 12:9).
Jesus diz: “Não fostes vós que Me escolhestes a Mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15:16).
            Assim, se você sente vontade de fazer parte da liderança da igreja, como um líder local, ou como um pastor, ou como um membro que ora e faz a diferença, mas se sente muito jovem, ou muito velho, ou fraco, deficiente, seja qual for sua fraqueza ou rejeição interna ou externa, Deus pode transformar isso. Coloque-se à disposição de Cristo. Deus não se impressiona com aparências, talentos, força física. Deus olha para dentro de você e vê o que está escondido lá dentro do seu coração. Ele sabe como funciona a sua mente. Sabe quanto você está disposto a se colocar nas Suas mãos. Por isso Davi foi escolhido e não seus irmãos. Apesar de todos parecerem melhores e mais fortes, Deus sabia que aquele jovem tinha a disposição para servi-Lo em espírito e em verdade.
            Lembrando que o apóstolo Paulo nos ensina, em Efésios 1:4, que devemos nos entregar a Cristo, pois Ele mesmo nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele.  Cumpre a cada um, portanto, louvar e glorificar a Deus pelo seu maravilhoso amor, pela Sua graça imerecida, e tornar-se cooperadores de Deus para que, dessa forma, nos tornemos um instrumento eficiente em Suas mãos. Amém.

Lucia Marlene S. Fitzthum

Pesquisadora. Revisora de textos. Membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Cascavel – Paraná.
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